Conversa de Bar

E dai o bar tem uma nova garçonete. Que serve as mesas de micro shortinho e sombra combinando com a cor dos olhos. Chama-se Patricia. Ou antigo João Roberto.

E ela não gosta de gays.  Reclama do publico extremamente jovem que frequenta o local ela que é uma vividíssima senhora de 26 anos.  Outra critica dela e que os jovens que vão ao local são “gays demais” somente ali. Fora dali eles tentam se controlar, ser algo que não são. “Normais”  Como pode isso ? Ela me pergunta.

Dai ela me traz uma porção de fritas e uma acusação : ” você é assumido ? “

Eu incoerentemente saio pela tangente dizendo que as fritas não são pra mim.  Ela meio desconfiada leva as fritas pra mesa certa e volta logo em seguida querendo uma resposta. Sem saber ao certo o que era necessário dizer pra não ser expulso do local eu parto pro ataque: Como vc pode dizer que não se relaciona com gays e ao mesmo tempo ter um namorado ?

Meu namorado não é gay. Ela diz.

Eu: Como é possível ?  Você é um homem. Ele também. Quando dois homens se relacionam isso e homossexualidade.

Ela: Meu namorado achava que eu era uma mulher, ele não sabia que eu era homem.

Eu: Mas agora ele sabe, não ?

Ela: Ele sabe. mas esta comigo pq me ama.

Eu: Então vc acha possível ele te amar, transar com você e ao mesmo tempo dizer que é hétero ?

Ela: Logico que sim. Ele não suporta gays.

Eu: O.O

Dai eu tento explicar que mesmo que ela se pareça com uma mulher ela continua sendo homem. E se o tal namorado fosse de fato hétero ele teria procurado uma mulher. Não algo que REMOTAMENTE se parece com uma.

Ela fico fula da vida comigo. E passa a me servir cerveja QUENTE.

Eu ouço demais isso. Nos comentários da  blog da Katylene. No Twitter. Em qualquer rodinha gay.

E dai as pessoas dizem bizarrices como aquele ator porno especializado (?) em ser duplamente (?) penetrado que na verdade ele é hetero.

E como se a homossexualidade fosse condicionada a um COMPORTAMENTE social. Se eu não me pareço gay, Heterossexual sou.

Há uma inversão terrível nisso dai.  Que além do preconceito contra gays a gente também acaba jogando na sopa um perverso preconceito contra mulheres. Atualmente quanto mais  “feminino” um homossexual  é, menos valor de mercado ele tem.

Eu reconheço que esta terrivelmente mal formulado  esse post. E sei que gente mais gabaritada pra falar sobre gênero, identidade, homofobia e feminismo já abordou o assunto de forma muito mais abrangente e contextualizada.

O que escrevo serve mais pra formular e arquitetar um pensamento próprio mesmo.

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13 comments on “Conversa de Bar

  1. querido,

    infelizmente é assim. para a maioria o gay é aquele que ”dá”, é o que se tem jeitos de mulher e por aê vai. os próprios homosexuais se discriminam e colocam rótulos em uns e outros. como aquele nosso ”conhecido” gay, que disse que se tivesse um filho ”bichinha” meteria a porrada no garoto.

    acho que no dia em que os próprios se aceitarem, aceitarem que cada um tem as suas particularidades e se transformarem em uma massa realmente forte e compacta, conseguirão lutar melhor pelos seus direitos. enquanto isso não acontecer não vejo solução.

    beijos!

    • Eu lembro DEMAIS desse nosso “conhecido”. O que mais me chocava era ver como ele tinha partidários dos absurdos que dizia.

      Eu também não vejo solução a curto prazo. Infelizmente os gays abraçaram com entusiamo codigos heteros pra propria sexualidade.

      o fim.

      beijos mores.

  2. Olha, quando eu trabalhava com travestis ouvia isso sempre. E também existem os casos raros de travas que namoram entre si e se dizem lésbicas. Nunca tinha parado pra pensar no preconceito existente aí, mas acho que faz sentido. Na real, sempre penso nisso pela ótica da subversão que qualquer travesti representa e provoca, simplesmente por existir. Se todo o esforço de construção de feminilidade que ela faz tem algum sucesso, então ela é mulher e quem sai com ela o faz por gostar de mulher. O louco é que em várias outras situações ela se coloca como homem, “muito mais macho do que existe por aí”. No fundo, acho que a questão aí é a nossa impossibilidade de pensar as coisas com mais fluidez e fora dos parâmetros estanques de OU ser mulher OU ser homem, de maneira definitiva. “Pessoas trans” colocam essa dicotomia em jogo simplesmente por existirem.

    =**

    • Em parte concordo com vc. Ser Trans é ir um pouco além. E chutar o pau da barraca da questao de genero.
      só que a gente se embola quando os generos sao definiveis. Chegar nessa dicotomia ainda e uma utopia. Acho.

      =***

  3. Que belo post, meu bem.

    Parece que os gays tem medo de serem gays. Na tentativa de fugirem do estigma, se auto-boicotam. Repetem o mesmo preconceito que sofrem. “Don’t ask, don’t tell”. Agem como se houvesse um padrão, como se ser GAY fosse ser um jeito X, em geral, passivo afeminado. É preciso entender que as pessoas são diversas independente da sua sexualidade e que se heterossexualizar NÃO é o caminho para o respeito e aceitação.

  4. Eu penso que transexuais sim tem “problemas” com identidade de genero. Travestis [ que nem sempre sao transexuais ] já um caso a parte. Entao eu acredito que eles nao deixam de ser do genero masculino. Se eles nao passam pro outro genero eles continuam sendo masculinos. portanto gays. Mas talvez eu esteja sendo simplista.

    Quem quiser discordar fique a vontade. E algo que eu nao domino mesmo. Alias, quem domina ?

  5. adorei o heterossexualizar não é o caminho.
    ouvi essa semana o seguinte comentário: “o problema não é ser gay, é parecer gay”. acho que a nossa implicância com as aparências chega em todos os terrenos, não queremos parecer, dar pinta, externalizar de alguma forma o que somos. nossa. eu ouço tanta coisa todos os dias, mas o que mais ouço é isso do problema de parecer e, pasme, a grande pérola que complementou essa outra aí: “quem quer parecer uma mulher?”.
    nem preciso dizer que amo os seus posts e suas reflexões.
    beijo.

  6. Muito bom, adorei. Aliás, descobri o blog agora e já aviso que vou voltar mais vezes (e provavelmente tentar comentar alguma coisa mais).

    Beijos

  7. Olha,
    Fiquei bege com esse relato.
    Se um gay se enxerga dessa forma perante a sociedade,o que dirá os outros…
    Um ignorante,claro!
    Pena!
    É assim que se difunde o preconceito dentro do próprio meio.

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