Desencontros

Eu fui fazer um treinamento pro trabalho. Uma semana. Chatice extrema. E tinham varias salas. e todo mundo tava fazendo a mesma coisa.

Fiz amizade com uma menina de mossoro que tava na mesma sala que eu. Dai no segundo dia a gente saiu pra almoçar juntos. O lugar estava LOTADO. Encontramos 03 pessoas. Que estavam fazendo o mesmo treinamento que nos. Ficamos numa mesma mesa. Dois rapazes e uma mulher mais velha. Que falava pelos cotovelos e não deixava ninguém respirar. Um dos rapazes tinha um sorriso tímido, era do interior e não conseguia me olhar nos olhos sem abaixar a cabeça. Fiquei automaticamente interessado. Como aborda-lo ? Nunca ficavamos sozinhos. E eu não conseguia dar sinais pra ele que estava interessado sem denuncia-lo pros demais pois eu não sabia que situação era a dele. A minha era igualmente precária pois eu não sou assumido e tinha pessoas do trabalho circulando no pedaço. Nos encontramos nos demais dias pra almoçar. Ele ficava nos esperando na  porta do restaurante. Os outros dois  [ malas ] juntos e a menina de mossoro grudada no meu pescoço.  Estavamos MUITO interessados um no outro. Mas não avançavamos por medo, insegurança e por não estamos num local “adequado” pra uma abordagem gay.  Ele poderia tanto ser namorado do rapaz, como genro  da mulher mais velha. E ele não tinha como saber quais as minhas relações com a garota de mossoro que se metia em cada buraco de conversa que a gente entabulava entre um ou outro pedaço de galinha.

No ultimo dia nos alongamos ao máximo. Fomos todos caminhando pras salas. E eu disse que iria escovar os dentes. Ele quis me acompanhar. Chegando lá o banheiro lotado. E um rapaz que trabalha comigo escovando os dentes.

Não consegui pedir o telefone dele. Nunca mais nos vimos.

No domingo estava sentado com um amigo numa praça da cidade. Tem uma feira de artesanato. E o local lota de casais.  Vimos três casais de meninas de mãos dadas. Elas foram ate a praia, uma delas entrou na agua [ deveria ser mineira, o único tipo de pessoa que se arrisca a entrar no mar com dia frio ] elas tiraram fotos.E foram embora abraçadas.

E ficamos nos dois conjecturando ONDE elas se conhecem. COMO  elas se encontram ?

Pq não existe nenhum lugar na cidade que seja ponto de “pegação” de sapas. “elas são assumidas e transam em casa ?” ” Se não elas vão pra um motel ? como se são todas menores de idade ? ” Elas vão pra casa de uma amiga  e os pais dessa amiga permitem orgia de sapas no tapete ?”

Rimos e falamos que ate nisso os gays homens levam vantagem. Por que não tem como fazer TRIBADISMO  num banheiro publico.

Dai eu contei pra ele de um menino que eu conheço da internet. E que mora numa cidade de interior. E ele arranjou um namorado. E os dois perderam a virgindade num banheiro mal cheiroso e abandonado num parque da cidade deles.

E nos paramos de rir. E ficamos falando no quão cruel e isso tudo. Um momento intimo, tão especial, tão ansiosamente aguardado ser  partilhado num banheiro utilizado por viciados em crack.

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3 comments on “Desencontros

  1. nossa. me lembro do q aconteceu comigo. fui beijá-la pra me despedir, num ponto de táxi da augusta, ela disse: “mas aqui?”. cara, se eu não puder beijar uma garota na augusta, onde poderei beijá-la. mas eu sou sem-noção, né? andava de mão dada com minha ex em shopping lotado de campinas.

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