DOS QUE PODEM TUDO E DAQUELES QUE NÃO PODEM NADA.

 

 

Primeira semana do ano. Eu to no coletivo. Dois rapazes pulam a roleta. Eu estranho porque eles não combinam muito com o perfil de quem faz isso. Eles se sentam na minha frente e começam a conversar. A mocinha do meu lado está bem tensa. Eu penso que talvez a gente seja assaltado. *suspiro*

 

No bairro de classe média onde eu trabalho um reluzente honda civic para em cima da faixa de pedestres. Eu bato no capô do carro e digo que a faixa e do pedestre. O motorista, um bem nutrido e bem nascido rapaz loiro de óculos escuros de grife, enfia a mão no porta luvas e aponta uma arma pra mim.

 

Os dois rapazes que pularam a roleta seguem na conversa. Eu presto atenção. O mais magro deles, que xinga muito, esta ameaçando mandar matar um outro rapaz. A mocinha do meu lado dá um gemido aterrorizado.

 

Uns meses atrás um o sistema de vigilância de uma loja de grife flagrou 4 rapazes [ todos filhos da juventude dourada da nossa ilha ] roubando chaveiros, óculos e outros badulaques com o símbolo da Ferrari estampada. Acusados de roubos, quiseram devolver as mercadorias [ que estavam escondidas num apart hotel de luxo ] o gerente da loja não quis aceitar pq não teria como vender as mercadorias avariadas. O pai de um dos rapazes ameaçou processar o gerente, pois era uma brincadeira e ele estava taxando o filho dele de ladrão. Veja só.

 

O rapaz magro continua muito irritado. Pelo forte sotaque [ baiano ] e pelos inúmeros erros de português [ de uma pessoa que teve pouca ou nenhuma instrução formal ] concluo que  ele é um dos milhares de rapazes que fogem do sertão em busca de melhores condições de vida  em uma capital do sudeste.

O sujeito que o rapaz magro quer mandar matar e o encarregado da obra onde ele trabalha. Devido a um erro [ ou má vontade, não sei ] o rapaz magro não havia recebido o pagamento. Dai ficou o natal e o ano novo sem poder sair de casa. Puto da vida reclama da HUMILHAÇÃO de ter que pular a roleta porque nem créditos no cartão de passagem a tal firma colocou. Ele tinha arriscado ir trabalhar naquele dia na esperança de receber. A esposa estava igual uma onça baleada. Querendo fazendo supermercado e ele não tinha dinheiro pra pegar o coletivo.

 

A passagem do coletivo custa R$ 2,30.

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3 comments on “DOS QUE PODEM TUDO E DAQUELES QUE NÃO PODEM NADA.

  1. Oi. Tudo bem?
    Descobri seu blog num link super discreto (era bem pequeno mesmo! hehehe) no blog da Mary W.
    Já favoritei! Parabéns pelos posts.
    Vou ficar acompanhando.

    =)

  2. Só pra corrigir, baiano tem sim sotaque, mas quem costuma falar errado não somos nós, e sim o pessoal do sudeste.
    Nós fazemos o uso da concordância: as portas, as casas, etc.
    Enquanto, principalmente os paulistas falam: as porta, as casa, etc.
    Vivi em São Paulo e pude constatar.

    Não ao preconceito!

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