De Carro, Como a Patroa.

Era um jantar na casa do chefe. A fina flor do #classemediasofre. Dai um dos convidados ligou dizendo que ia se atrasar. “O transito”. E dai o tema passou a ser esse. O suplicio que é você ter que dividir uma rua que era por direito sua com milhares de carros que não lhe dão passagem. Dai a dona da casa logo achou um culpado. E passou a narrar uma horripilante historia de ficção cientifica com toques de terror: A Faxineira que tinha carro.

E dai onde que esse mundo [ o mundo no caso é aquele bairro que nós estávamos ] ia parar onde até mesmo faxineiras podem ter carro.

A culpa sempre caia sobre o governo que dava bolsas família pra todo mundo e permitia os financiamentos a perder de vista com prestações de valor igual a juro baixo.

Uma das convidadas magoadíssima lembrou que o carro da faxineira era melhor que o da irmã dela.

Eu tava mastigando a língua a um bom tempo. Mas dai eu tive que falar né ?

Não era bem assim. Que a sociedade como um todo nunca se preocupou com o planejamento das cidades. O transporte coletivo nunca foi pensado como um bem publico que beneficiaria a todos quando eficiente bem montado e bem estruturado. Beneficiaria não só os que se utilizam dele mas também os que não se utilizam se tornando uma forma eficiente, rápida e barata de locomoção.

Que todo mundo sempre se preocupava em primeiro comprar o carro e depois ter onde estacionar.

Como o transporte publico é um caos e as pessoas que precisam dele passam suplícios INIMAGINAVEIS é normal que todo mundo queira escapar dele.

E dai eu conheço a tal faxineira. E sei que ela comprou o tal carro unicamente porque era impossível chegar nos vários locais que ela precisa ir todos os dias. E com o carro ela passou a fazer mais faxinas e de quebra passou a estudar maneiras de tornar o seu trabalho melhor. E que pra ela ser faxineira era apenas um trabalho. E ela era boa nesse trabalho. E por ser boa no seu trabalho ela cobrava mais caro por isso.

Logico que eu não consegui falar isso tudo de uma única vez e sem ser cortado com uma serie de “ não foi isso que estávamos dizendo” por vários convivas presentes.

Um médico comprar uma cobertura sei lá onde é um fato a ser comemorado.

Uma faxineira comprar um carro é o caos batendo na porta.

As estranhezas do capitalismo de mercado.

 

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4 comments on “De Carro, Como a Patroa.

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