Gay e Militante

Assisti em sequência três filmes completamente diferentes de tom e estilo. Em comum são filmes com temáticas gay e periodos distintos onde o medo e a insegurança rondam a comuidade gay.

Os Rapazes da Banda que trata do medo de ser descoberto e se descobrir gay.

Parceiros da Noite que trata do medo de ser morto nos lugares escuros onde antes os gays encontravam prazer.

Meu Querido Companheiro que trata do medo da Aids.

O mais didático dos três e o filme Meu Querido Companheiro. Que acompanha um grupo de amigos da califórnia desde o momento que e publicado nos jornais a noticia do novo “câncer gay” até a Aids mudar completamente a vida de todos eles de forma irreversível.

O período era negro. A possibilidade de morrer era certa e assustadora pra ser tratada levianamente.

E desse medo, dessa incerta , dessa insegurança vem a luta.

Os personagens vão tomando consciência que estão por conta própria e que se eles mesmos não lutarem pra vencer aquele ameaça todos irão morrer porque ninguém [ governo, igreja, sociedade ] fará nada por eles.

O filme termina com três personagens na praia. Indo participar de mais uma campanha, mais uma marcha. Mais uma luta.

Não há como ser gay e ficar de braços cruzados enquanto a morte nos ronda.

Hoje 2012 a Aids ainda não tem cura. Mas sabemos com lidar com ela. Sabemos como evitá-la. Nos protegemos dela melhor que os outros grupos.

Mas há um outro tipo de câncer nos matando nas ruas. Chama-se intolerância.

Quem é historiador pode contar pra vocês como se deu essa virada ao conservadorismo e ao fanatismo religioso que a sociedade como um todo e a brasileira em particular deu nos últimos tempos.

Do que eu sei é que essa virada foi um péssimo negocio pra nós gays.

Creio que nunca antes tantos foram mortos unicamente por serem gays. Nunca nossa cidadania foi tão ferozmente nos negada.

Talvez porque hoje não queremos mais viver nos guetos e nas vielas. Saímos as ruas. E temos consciência da cidadania que nos foi negado por tanto tempo.

A única forma de não recuar e seguir em frente.

 A luta não acabou.

 Não há como ser gay e ficar de braços cruzados enquanto a morte nos ronda.

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2 comments on “Gay e Militante

  1. Não há mesmo como ser gay e ficar de braços cruzados, você disse tudo.
    Mas é como conversamos aquele dia na praia: às vezes, só às vezes, dá vontade de falar “não tô a fim disso, só quero ser normal”

    E acho que isso, por si só, já é também um ato político..
    Beijo, querido!!!!
    Vê meu blog novo depois ;*

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