Das rosas e seus espinhos.

 

Eu não sei se foi o Ziraldo ou o Veríssimo. Mas eu li um texto de um autor desses que escrevem cronicas. E essa cronica era sobre a inutilidade dos espinhos que as rosas possuem. A ideia do texto era que a rosa gastava uma energia imensa produzindo um espinho, um mecanismo de defesa que apenas espetava os possíveis agressores. Mas que em tese não impedia a rosa de ser colhida, tolhida e possivelmente destruída. Era um texto bom esse. O texto falava que essa defesa inútil das rosas apenas machucava quem queria apenas acariciá-la. E que essa defesa apenas afastava aquelas almas mais gentis que apenas queriam sentir de perto a beleza e o perfume das rosas; não impedindo os verdadeiros mal feitores de destruí-las.

Eu lembrei desse texto hoje ao encontrar com a minha professora  de português do ensino fundamental. Ela ficou profundamente feliz em me ver. Em falar comigo. Dava pra sentir que era uma alegria genuína de ambas as partes. Ela não tinha motivo nenhum pra mentir pra mim. Pra me enganar ou me bajular. Ela ta no magistério há 30 anos. Teve milhares de alunos. E ela certamente encontra ex alunos praticamente todos os dias. Mas eu senti que pra ela aquele encontro foi especial. Ela lembrou de uma peça que eu escrevi na sexta serie. Ela lembrava do meu nome e da casa que eu morava. O meu irmão era mesma sala que eu. E ela não lembrava do nome dele. E ela ficou sorrindo com os olhos lembrando de coisas da nossa turma do ensino fundamental. Dai eu falei de uma professora de historia que eu tinha encontrado um tempo atrás. E essa professora também lembrava de mim. Dai ela falou que era impossível me esquecer.

Dai eu fiquei pensando nessa criança especial que eu fui um dia. E nesses espinhos que eu fui criando ao longo da vida tentando inutilmente me proteger do mundo. E esses espinhos tal como os da rosa não me impediram de sofrer agressões, não me impediram de ser enganado ou traído. E assim como a rosa eu acabei por apenas afastar as pessoas que apenas queriam me acariciar ou sentir um pouco desse perfume especial que eu tenho. Que todo mundo tem. Que faz com que cada um seja  único e especial.

A Rosa não deixa de ser rosa por que foi colhida, destruída ou atacada. A rosa é rosa porque é isso que ela é: rosa.

Ao conversar com essa professora eu me dei conta disso. Eu não deixei de ser essa criança especial que ela e ele  tanto amavam e continuam amando.

Eu ainda sou essa criança. Apenas que os tantos espinhos que eu fui criando ao longo da vida acabaram por dificultar os mais próximos de estarem muito perto. Dai eu acabo ferindo e machucando mais do que deveria. E ao invés de me proteger eu apenas afasto aqueles mais aptos a me amarem.

Muito apropriadamente o meu sobrenome é ROSA.

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