Vermelho e Vermelha

 

Na verdade eu queria falar sobre o Thoros de Myr. Quem se importa com o Thor de Myr ? Na verdade ninguém. E não sou eu que vou me importar né ? Mas é importante agora falar sobre como ele viveu e morreu. O Thoros chegou em Porto Real na época do Rei Louco. E sempre viveu ali na zona do agrião: Mulherengo, falastrão e beberrão. Era conhecido por beber muito e duelar como poucos. A maioria das pessoas ( ele incluso ) achava muito fácil esquecer que na verdade Thoros de Myr era um sacerdote de R’hllor e estava em Porto Real pra falar sobre o Senhor da Luz.

O Thoros caminhou com a irmandade sem bandeiras e por um acaso acabou ressuscitando ( mais de uma vez ) um cavaleiro sem muita importância ( Beric Dandarrion ) que por conta disso também virou devoto do Senhor da Luz. Thoros continuou bebendo, falando demais e trepando. Acabou indo pra lá da Muralha com a Patrulha da Noite e a Irmandade sem bandeiras. Morreu cercado por uma horda de zumbis depois de tentar salvar um companheiro. Mas não morreu só. Morreu cercado de amigos e companheiros que viam nele um sujeito agradável, bom lutador e que por uma excentricidade qualquer resolveu virar devoto de um Deus esquisito. Era um bom sujeito o Thoros. Todos diriam.

Só que Thoros de Myr era um sacerdote vermelho. Um sacerdote de R’hllor.

Servia o mesmo Deus vermelho de Melisandre. Ela mesma a terrível, implacável, cruel e sanguinária Melisandre. A mulher que foi capaz de tramar a morte de um irmão pelo outro, que queimou homens e mulheres que não reconheciam o seu Deus, que convenceu um homem justo e correto a queimar a própria filha numa fogueira. Que terrível feiticeira era Melisandre. Que bruxa diabólica era aquela que sempre insinuante e envolvente seduziu e matou homens bons e devotos. Seus olhos faiscavam de paixão, fé e devoção quando contemplava homens e mulheres queimando na fogueira. Quando gestou no seu próprio ventre um ser de sombras e trevas a sua expressão era de êxtase e gloria. Melisandre era em tudo e pra tudo uma mulher de paixão. E não existe nada mais perigoso ou ameaçador do que uma mulher apaixonada. Uma mulher apaixonada é uma mulher que não se pode conter ou controlar. Uma mulher que não pode ser subjugada pelo amor maternal ou filial é uma mulher que não se pode confiar. Todos nós torcíamos pra que Sor Davos ( o homem justo, bom, correto e leal ) enforcasse com suas próprias mãos aquela horrível e diabólica feiticeira. A inabalável fé de Melisandre foi finalmente testada. Não no Deus Vermelho mas em si mesma. E dai nós a vimos como ela realmente era: uma mulher cansada das provações e decepções, sozinha, abandonada e vencida pelo tempo.

Melisandre viu nas chamas do seu Deus a própria destruição. E nem assim vacilou. Foi até o fim. Morreu sozinha e esquecida por todos, menosprezada, detestada e jurada de morte. Por ter feito a vontade do estranho e indecifrável Deus vermelho que salvou a todos na batalha final contra o Rei da Noite.

Eu não vou falar de Daniela e seus dragões e nem em joão das neves. Também não vou falar em como um mundo governado por homens celebra que um homem é digno do trono porque montou um dragão sendo que os dragões só ganharam vida porque uma mulher entrou no fogo por eles. Também não vou falar desse homem sendo celebrado por ter voltado a vida quando foi a fé de uma mulher num Deus estranho e indecifrável que o trouxe de volta a vida.

Vou falar só de Melisandre morrendo sozinha e esquecida depois de ter vencido a guerra contra o Rei da Noite.

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