Domésticas, O filme.

Publicado: março 28, 2013 em Uncategorized

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Em uma seleção pra uma vaga em uma loja de departamentos de um shopping center a recrutadora faz perguntas aos participantes da sala. Ao perceber que a maioria diz morar só; espantada 

pergunta: cadê as famílias de vocês ? 

 A indagação dela na verdade era outra: como vocês vão pagar todas as contas de morar sozinhos com o baixo salario que a vaga oferece ?

Corta pra PEC das empregadas. 

Mesmo recebendo os direitos dos demais trabalhadores as empregadas domesticas estão no mesmo patamar dos trabalhos do comercio que recebem em media o piso salarial de R$ 740,00.

Ou Seja. Um salario insuficiente pra prover as necessidades básicas de uma única pessoa que dirá de uma família com 4-5 pessoas. 

Por mais que Danuza Leão e aquela sua tia rica reclamem do absurdo que esta pagar uma domestica hoje, esse salario é insuficiente pra pagar um aluguel [ casa própria ainda é um sonho] energia [ mesmo com Dilma baixando a conta isso ainda custa dinheiro] água [ ela cai do céu mas também é cobrada] gás [ só minha avó que morreu em 2008 ainda cozinhava no fogão á lenha ]  transporte [ duas, três  quatro conduções ]  alimentação [ um quilo de tomate ta custando SETE REAIS ] vestuário [ um tênis barato custa em media R$ 80,00]  lazer [ juro por Deus, pobre também precisa de lazer eu não to inventando ].

Posto isso tenho ouvido muitas reclamações sobre como assim vamos pagar uma empregada domestica sendo que um engenheiro em inicio de carreira ganha tanto e não tem condições de pagar uma empregada domestica nestes termos. 

Se um engenheiro não tem o seu trabalho devidamente valorizado não e pagando menos a empregada que ele vai se valorizar.

E perá lá, só porque o cara é medico, engenheiro ou funcionário da Petrobras ele TEM QUE TER UMA EMPREGADA ?  

e me desculpa mas boa parte das distorções sociais que existe nesse pais vem dai: fulano que trabalha num posto de gasolina tem que ganhar x vezes menos que o contador que tem que ganhar y vezes menos que o engenheiro que tem que ganhar W vezes menos que o medico e assim por diante.

 

Trabalho é trabalho. 

 

 

eu não to dizendo que não deve existir médicos  engenheiros, professores e que eles devem ganhar menos por suas profissões especializadas. A questão não e essa.

 

 

A questão e que boa parte da classe media e elites do brasil manteve e mantem o status quo de suas posições EXPLORANDO  a mão de obra das classes menos abastadas. 

 

A gente vive louvando o primeiro mundo e que la sim e um lugar bom de viver mas convenientemente nos esquecemos que lá todo mundo vive relativamente bem porque as diferenças salariais não são tão absurdas como no brasil. 

 

 

Faça um esforço pra pensar no lado contrario: quem limpa a casa, lava a roupa e cuida dos filhos das pessoas que estão lavando nossas casas, cuidando de nossos filhos ? Porque eles também tem famílias  tem  sonhos, tem dignidade. Enfim. também são pessoas com as mesmas aspirações, capacidades e potencial pra se desenvolver que cada um nós. 

 

 

Agora que as empregadas vão ter os mesmos direitos que todos os outros trabalhadores e quem tinha empregada antes não vai poder ter mais o mercado de trabalho vai ter que se adaptar a essa nova realidade.

 

 

Se não é mais possível pra um engenheiro ter alguém que cuide de seus filhos enquanto ele trabalho o MERCADO  vai ter que se virar pra dar condições pra esse engenheiro ter tempo dele próprio lavar suas cuecas e dar mamadeira pro seu filho.


então os horários de trabalhos terão que ser mudados, as creches terão que ter tempo integral, as escolas terão que funcionar o dia inteiro.

 

a SOCIEDADE ganha com isso. 

 É natural que haja chiadeira e alguns setores mais mais conservadores se sintam agredidos e incomodados ao se verem perdendo um direito praticamente divino de ter alguém pra limpar suas casas.

Nenhuma das conquistas trabalhistas que temos foram adquiridas por bondade e boa vontade dos patroes. Todas as conquistas trabalhistas envolveram greves, rebeliões, caras feias, ameaças e ranger de dentes.

Se não fosse assim os negros estariam ate hoje nas senzalas. PIOR. Estariam pagando aos patroes pra trabalhar e levar chicotadas. 

Uma cor pintada

Publicado: março 7, 2013 em Uncategorized

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Eu não acompanhei as filmagens e nem li na imprensa nada sobre os bastidores e o roteiro de Dezesseis Luas filme adolescente que veio ocupar a vaga deixada pelo fenômeno Crepúsculo. Então eu não posso dizer que papel a atriz Viola Davis [ indicado ao Oscar pelo filme Historias Cruzadas ] teve nas mudanças estruturais dos livros escrito por Kami Garcia e Margareth Stohl para o roteiro escrito por Richard LaGravenese que vemos nas telas do cinema. Fato é que o personagem interpretado por Viola Davis no cinema não tem quase nada do personagem que existe nos livros. Nos quatro livros Amma é uma governanta negra, de meia idade, sulista, praticante de magia que passou metade da vida cuidando da família do adolescente branco protagonista. Tratada quase como se fosse “da família” a personagem é uma emulação da servente negra e cheia de super tições do sul que deu o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 1939 a Hattie Macdaniel pela personagem Mammie de E o Vento Levou. A Amma dos livros carrega nas costas todos os clichês associados as praticas das religiões afro. Ela mora num casebre nos pântanos, vive falando em enigmas e enche a casa dos patroes de patuás, amuletos e poções. Mesmo sendo uma historia “fantasiosa” que trata de bruxas e encantamentos as crenças de Amma são tratadas nos livros como coisas “pitorescas” que não se deve levar a serio. Nos livros a pessoa que dá um verniz de seriedade e autoridade ao assunto é a bibliotecária da cidade Dra Marian Ashcroft uma historiadora de renome companheira de faculdade da mãe do protagonista e uma legitima filha branca do sul. 

No filme a Dra. Ashcroft não existe. Amma é a bibliotecária. Ela é amiga da mãe do protagonista e cuida do rapaz ocasionalmente apenas por afeto. No filme Amma é a guardiã dos segredos dos bruxos da cidade. É uma autoridade consultada e respeitada. Só há uma cena onde Amma entra na cozinha do adolescente protagonista e é pra AJUDA-LO não pra preparar as refeições e limpar a casa como a Amma dos livros vive fazendo. 

Tem também um outro detalhe que é interessante notar. Nos livros existe uma adolescente que faz da vida da bruxinha protagonista um inferno. É uma líder de torcida esnobe que ganhou todos os bailes como rainha da escola. Seu nome é Savannah Snow. Nos livros essa moça é branca. No filme ela é negra. 

E bastante raro a gente ver personagens serem mudados pra passar uma mensagem menos subserviente de negros. É bem mais comum acontecer o contrario. Como aqui no Brasil que o grande artista Tim Maia esta sendo representando numa peça premiadíssima pelo neto do Silvio Santos Tiago Abravanel. Que todos os dias e pintado de chocolate pra mostrar em cena a pele escura do negro Tim Maia.

Corrente

Publicado: fevereiro 18, 2013 em Uncategorized

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Penso eu que talvez a pessoa que mais me ensinou a perdoar foi Amaranta Buendia. Justo ela que nunca perdoou nenhuma ofensa na vida. Justo ela que bordava de dia e desbordava a noite pra que o tempo que lhe foi dado pra tecer a própria mortalha não esgotasse antes de ver Rebecca morrer a minguá.
Pra mim o grande lance foi sacar a inutilidade de todo o rancor e amargura que Amaranta carregou por toda a vida. Ela não conseguiu impedir Rebecca de ser feliz. Não conseguiu amar ninguém. Não conseguiu contaminar Remedios, a Bela com o seu rancor. E o seu ultimo gesto de levar uma caixa de recados dos vivos para os mortos a quem ela em breve se reuniria se mostrou igualmente inútil pois não conseguiu apagar o fato que ela saia da vida sem ter realmente vivido um único dia que fosse.

Indo nesse caminho de aprender que remoer rancores e dissabores nunca nos leva a lugar algum, penso eu que é igualmente inútil tentar angariar amores de pessoas que ou não nos merecem ou não são capazes de nos dá-lo. 

É algo que eu e todo mundo faz. Por na própria conta todos os erros alheios como se fossem seus.

O garoto dos dentes podres

Publicado: setembro 25, 2012 em gay, Politk, racismo

Era um lugar bem pobre. Da região norte do meu estado. O lugar que eu estava era minusculo. Poucas casas. E muitas igrejas evangelicas. Assim, MUITAS.

 

E tinha uma pequena casa com uma mureta que dava pra rua. E nessa mureta tava sentado um garoto. Ele usava calça social puida e camisa de algodão dessas de campanha politica. Da campanha de 2010, acho. E curiosamente ele usava um chinelo de dedo com detalhes em cor de rosa. Eu achei bem curioso o chinelo cor de rosa. Mas logo esqueci disso ao chegar pra falar com o garoto. Porque ele já tinha sido bem bonito em algum tempo. Como eu estava trabalhando eu o chamei de Senhor e pedi permissão pra falar com ele. Ele riu todo sem graça. E me disse o nome e a idade dele. O nome eu não consegui guardar. Mas me chocou ele ter só 23 anos. E ter todos os dentes da frente todos podres. Eu comecei a fazer o meu trabalho e ele desceu da mureta. Como eu falo baixo cheguei bem perto dele. Eu acho que antes de chegar pra falar com ele eu já sabia que ele era gay. Mas foi ao chegar bem perto me dei conta que ele ficou muito tenso com toda essa proximidade e pra ele não deveria ser tão comum. Como ele era muito timido e estava com dificuldade pra responder eu deixei um pouco de lado o tom mais formal que eu deveria usar pra conduzir a entrevista. Eu não sei se foi a proximidade, o meu cheiro, ou de falar em tom baixo bem perto do ouvido dele. O fato e que ele se excitou com a conversa. E ao sacar que eu tinha sacado que isso tinha acontecido ele misturou um misto de vergonha e excitação que nada tinham a ver com a entrevista chata que eu fazia com ele. O tempo transcorreu de um jeito meio estranho a partir dai. Pois eu me demorei mais do que deveria. Pois sabia que em algum momento aquele clima que tava rolando que nada tinham a ver com paquera ou tesao da minha parte iria se evaporar assim que o meu trabalho estivesse concluido. Aquele garoto precocemente envelhecido e dentes pobres provalmente não esta excitado comigo. Mas talvez com o fato de poder estar entre iguais.

Pouco antes da entrevista terminar chegou um outro homem. Também de calça social e camisa de algodão. Mas que usava um feio sapato de camurça. Veio em nossa direção pra saber do que se travava a nossa conversa. O olhar de dor, culpa e sofrimento que o garoto dos dentes pobres lançou pra esse homem foi uma das coisas mais tristes e dolorosas que eu já presenciei na vida. Porque o tal homem era pastor da igreja Deus é Amor. Uma das denominações neo pentecostais mais severas e sufocantes que existe no Brasil. E o garoto dos dentes pobres era membro dela e o tal homem seu pastor.

Eu fiquei pensando nisso bastante tempo. No tipo de vida que aquele pobre rapaz escolheu [ ou foi forçado ] seguir. Fiquei imaginando que tipo de penitencia e culpa aquele pobre rapaz iria carregar daquele episodio. Um flerte inocente e uma ereção pra um desconhecido que te trata gentilmente e te fala ao pé do ouvido.

Talvez seja por pensar nesse rapaz dos dentes podres me seja dificil entender porque diabos é tão importante saber quantos quilos a cristina aguillera esta pesando ou me interessar pela capa do próximo cd da Rihana.

O olhar de sofrimento, solidão e desespero daquele rapaz não me deixa esquecer que não existe nada alegre em ser gay no brasil. E que nós não sabemos o tanto que somos privilegiados por ter a oportunidade de mudar, nessa geração nesse tempo, a visão da sociedade sobre a homossexualidade.

Pra que não precise existir jovens de dentes podres em nenhum canto do brasil.

Cabe a nós.

Das rosas e seus espinhos.

Publicado: setembro 14, 2012 em Uncategorized

 

Eu não sei se foi o Ziraldo ou o Veríssimo. Mas eu li um texto de um autor desses que escrevem cronicas. E essa cronica era sobre a inutilidade dos espinhos que as rosas possuem. A ideia do texto era que a rosa gastava uma energia imensa produzindo um espinho, um mecanismo de defesa que apenas espetava os possíveis agressores. Mas que em tese não impedia a rosa de ser colhida, tolhida e possivelmente destruída. Era um texto bom esse. O texto falava que essa defesa inútil das rosas apenas machucava quem queria apenas acariciá-la. E que essa defesa apenas afastava aquelas almas mais gentis que apenas queriam sentir de perto a beleza e o perfume das rosas; não impedindo os verdadeiros mal feitores de destruí-las.

Eu lembrei desse texto hoje ao encontrar com a minha professora  de português do ensino fundamental. Ela ficou profundamente feliz em me ver. Em falar comigo. Dava pra sentir que era uma alegria genuína de ambas as partes. Ela não tinha motivo nenhum pra mentir pra mim. Pra me enganar ou me bajular. Ela ta no magistério há 30 anos. Teve milhares de alunos. E ela certamente encontra ex alunos praticamente todos os dias. Mas eu senti que pra ela aquele encontro foi especial. Ela lembrou de uma peça que eu escrevi na sexta serie. Ela lembrava do meu nome e da casa que eu morava. O meu irmão era mesma sala que eu. E ela não lembrava do nome dele. E ela ficou sorrindo com os olhos lembrando de coisas da nossa turma do ensino fundamental. Dai eu falei de uma professora de historia que eu tinha encontrado um tempo atrás. E essa professora também lembrava de mim. Dai ela falou que era impossível me esquecer.

Dai eu fiquei pensando nessa criança especial que eu fui um dia. E nesses espinhos que eu fui criando ao longo da vida tentando inutilmente me proteger do mundo. E esses espinhos tal como os da rosa não me impediram de sofrer agressões, não me impediram de ser enganado ou traído. E assim como a rosa eu acabei por apenas afastar as pessoas que apenas queriam me acariciar ou sentir um pouco desse perfume especial que eu tenho. Que todo mundo tem. Que faz com que cada um seja  único e especial.

A Rosa não deixa de ser rosa por que foi colhida, destruída ou atacada. A rosa é rosa porque é isso que ela é: rosa.

Ao conversar com essa professora eu me dei conta disso. Eu não deixei de ser essa criança especial que ela e ele  tanto amavam e continuam amando.

Eu ainda sou essa criança. Apenas que os tantos espinhos que eu fui criando ao longo da vida acabaram por dificultar os mais próximos de estarem muito perto. Dai eu acabo ferindo e machucando mais do que deveria. E ao invés de me proteger eu apenas afasto aqueles mais aptos a me amarem.

Muito apropriadamente o meu sobrenome é ROSA.

Na noite de 036 o Fantástico da Rede Globo apresentou uma matéria sobre a ROTA. Na matéria levanta-se a suspeita (através de imagens gravadas e testemunhas oculares) que 12 suspeitos foram sumariamente executados pela polícia paulista.

No twitter ouve uma gritaria. E a opinião geral foi que a ROTA estava muito certa em executar sumariamente. Afinal, bandido bom é bandido morto.

“ Se 1bando d assaltantes armados invadisse sua casa, vc gostaria q chegasse a Rota ou o ‘Sou da Paz’? “

“Pô, tão achando ruim que a Rota ta matando vagabundo?!”

“A Rota, tão demonizada pelo Fantástico, está preocupada com ataques do PCC. Será que com isso o Fantástico se importa?”

Na mesmíssima noite de 036 a Rede Record apresentou uma matéria sobre o ator do filme Cidade De Deus Rubens Sabino que pedia ajuda pra sair das ruas onde vive há sete anos. Viciado em drogas ele já havia sido preso por roubar uma bolsa. Conta que o vício em cocaína lhe tirou tudo. Sabedor de todos os pormenores da pequena tragédia social que é a sua vida, diz que não soube aproveitar ( como os demais atores do filme ) a oportunidade que lhe foi dada por lhe faltar uma base familiar e estrutura psicológica que lhe ajudasse a evitar os costumazes caminhos de outros tantos jovens pobres, negros, sem instrução e sem família iguais a ele.

Na parte mais esclarecedora da matéria ele diz preferir continuar dormindo ( leia-se: drogado ) do que acordar sabendo que terá que enganar, mentir, trapacear e roubar outras pessoas pra conseguir comida e dinheiro. Por que se assim não o fizer morrerá de fome.

A grande maioria do twitter pensa que o caso dele é bem fácil de resolver. É só deixar a ROTA agir.

Eu penso o contrário.

No mesmo dia 036 logo cedo o Jornal O Globo postou uma nota solta onde um pesquisador analisava os dados do Censo 2010 e apurava que 9% dos trabalhadores brasileiros empregados recebem apenas 1\4 do salário mínimo ( salário mínimo: 622,00 1\4 do salário mínimo 155,50 valor da cesta basica pro rio de janeiro: 271,71).

Destes 9% de trabalhadores 63,1% eram pretos e pardos. Provavelmente os pais do Rubens Sabino sairam daqui.

Eu penso que enquanto não pararmos pra pensar de onde esses trabalhadores tão mal remunerados vão tirar os 116,21 que todo mês lhes falta pra comprar uma única cesta basica; a sociedade continuará pagando um altissimo preço. Em violência, terror e insegurança.

É a ROTA que os abate a tiros. Mas todos nós temos as mãos sujas de sangue.

Não se engane.

Gay e Militante

Publicado: abril 30, 2012 em Cinema, gay, Politk

Assisti em sequência três filmes completamente diferentes de tom e estilo. Em comum são filmes com temáticas gay e periodos distintos onde o medo e a insegurança rondam a comuidade gay.

Os Rapazes da Banda que trata do medo de ser descoberto e se descobrir gay.

Parceiros da Noite que trata do medo de ser morto nos lugares escuros onde antes os gays encontravam prazer.

Meu Querido Companheiro que trata do medo da Aids.

O mais didático dos três e o filme Meu Querido Companheiro. Que acompanha um grupo de amigos da califórnia desde o momento que e publicado nos jornais a noticia do novo “câncer gay” até a Aids mudar completamente a vida de todos eles de forma irreversível.

O período era negro. A possibilidade de morrer era certa e assustadora pra ser tratada levianamente.

E desse medo, dessa incerta , dessa insegurança vem a luta.

Os personagens vão tomando consciência que estão por conta própria e que se eles mesmos não lutarem pra vencer aquele ameaça todos irão morrer porque ninguém [ governo, igreja, sociedade ] fará nada por eles.

O filme termina com três personagens na praia. Indo participar de mais uma campanha, mais uma marcha. Mais uma luta.

Não há como ser gay e ficar de braços cruzados enquanto a morte nos ronda.

Hoje 2012 a Aids ainda não tem cura. Mas sabemos com lidar com ela. Sabemos como evitá-la. Nos protegemos dela melhor que os outros grupos.

Mas há um outro tipo de câncer nos matando nas ruas. Chama-se intolerância.

Quem é historiador pode contar pra vocês como se deu essa virada ao conservadorismo e ao fanatismo religioso que a sociedade como um todo e a brasileira em particular deu nos últimos tempos.

Do que eu sei é que essa virada foi um péssimo negocio pra nós gays.

Creio que nunca antes tantos foram mortos unicamente por serem gays. Nunca nossa cidadania foi tão ferozmente nos negada.

Talvez porque hoje não queremos mais viver nos guetos e nas vielas. Saímos as ruas. E temos consciência da cidadania que nos foi negado por tanto tempo.

A única forma de não recuar e seguir em frente.

 A luta não acabou.

 Não há como ser gay e ficar de braços cruzados enquanto a morte nos ronda.